Windows 11: a pandemia fez renascer o desktop

A Microsoft apresentou na última semana o Windows 11, nova versão do seu sistema operacional e principal produto. Um lançamento que não deveria acontecer, segundo a própria empresa. Explico; há 6 anos, em 2015, quando chegava às lojas o Windows 10, a Microsoft prometeu que o então rebento seria a última versão de seu sistema operacional e que seria ‘vendido’, a partir daquele momento, como um serviço e não um produto. Com atualizações sempre que necessário. Pois vimos que a gigante de Redmond não cumpriu com a palavra.

E, em certa medida, podemos creditar a quebra da promessa da Microsoft como um efeito colateral da Covid-19, provando que a pandemia que atravessamos trouxe também uma ressignificação de diversos ícones que estavam fadados a serem integrados na sociedade pela rápida evolução tecnológica-cultural que a internet e o conhecimento digital nos propiciava.

Antes de falar do Windows 11 e suas mudanças, cabe um pequeno esforço contextual para entender essa relação e o motivos que fizeram a Microsoft quebrar a sua promessa. Notebooks — e consequentemente seus sistemas operacionais—estavam restritos cada vez mais ao ambiente corporativo. A rápida evolução dos sistemas operacionais para dispositivos móveis (leia-se iOS e Android), fez com que ter um computador pessoal em casa fosse totalmente desnecessário.

O novo menu Iniciar abandonou as lajotas de widgets que vinham desde do Windows 8. Aparência agora é similar ao Launchpad do Mac OS – Foto: reprodução/YouTube/Microsoft

Com isso, os PCs, iMacs e suas variantes portáteis em notebooks e macbooks, faziam-se meros objetos de decoração nas casas das pessoas. Ou ainda, um quebra-galho para tarefas pontuais. O centro da conectividade das pessoas passaram a ser os seus smartphones ou tablets. Fora o uso corporativo, não havia necessidade de se ter um notebook ou PC em sua casa. Seja para consumo de notícias, comunicação, ou até mesmo a realização de pequenas tarefas administrativas, as pequenas telas eram rei. Alternativas para emular a portabilidade — e logicamente, a praticidade —surgiam aos borbotões, como o Microsoft Surface ou o iPad Pro.

Mas então, um pequenino vírus começou a se espalhar da Ásia para o resto do mundo e isso foi o ponto de virada para os surrados PCs e notebooks. O distanciamento social necessário fez com que o home office fosse uma realidade e com ele a necessidade de trazer os velhos aliados das empresas para as casas. Sim, estamos em 2021, mais de 10 anos após o lançamento do primeiro iPhone, primeira referência séria em celular inteligente e ainda assim há coisas que só podem ser bem executadas com o velho kit monitor, mouse e teclado.

Nada impedia, é verdade, que a Microsoft lançasse o mesmo produto como mais uma das atualizações do Windows 10, mas perder toda uma campanha de marketing de lançamento e assim beneficiar-se dessa exposição pela novidade, parecia ser motivo forte o suficiente para uma quebra de promessa.

O Windows 11 chegou com uma grande (ainda que não profunda) mudança visual. Cantos arredondados e o mix de transparëncia+desfoque (saudades, Windows Vista. SQN), parecem colocar o novo sistema operacional na rota para o o futuro holográfico vislumbrado também em 2015 com o lançamento do HoloLens, o óculos de realidade aumentada e virtual da gigante de Redmond. Outra mudança notável, mas bobinha, é o deslocamento do dock de inicialização rápida de programas para o centro, em um estilo muito similar ao do Mac Os ou de algumas distribuições Linux por aí.

O icônico ‘Menu Iniciar‘, também passou por uma profunda, mas esperada revitalização. Esperada, pois o vislumbre dela já existia no Windows 10x, sistema protótipo que foi apresentado junto com o dispositivo (também protótipo e nunca lançado) Surface Neo. As malfadadas ‘Live Tiles’ do Windows 8 (o Windows ‘touch’, hanf) desapareceram —na verdade, mudaram de lugar e de espírito e agora como uma janela exclusiva e com o nome comum de Widgets (o que eles são mesmo)— e agora o estilo é muito similar aos ‘launchpads’ do MacOS e de algumas distribuições Linux (novamente).

O Explorer, que já há alguns anos merece uma atenção da Microsoft, não mudou muito. Apenas seguiu as mesmas premissas do básico conjunto cantos arredondados, mais transparência e desfoque. Precisa de um redesenho urgentemente, mas a empresa americana finge que não é com ela. Usa o discurso de interface conhecida para não mudar um dos programas mais clássicos do Windows. É pouco.

O protótipo Surface Neo rodando o protótipo para o Windows 11, chamado de Windows 10x – Foto: reprodução/YouTube

A suíte Office também seguirá com algumas alterações visuais para se enquadrar na tendência de design que a Microsoft vislumbra para o seu futuro. O aplicativo que mais parece se integrar ao novo olhar da empresa americana é, não por acaso, o Teams. Aquele que nasceu como um concorrente para o badalado Slack e, na pandemia, acabou virando um sucessor parrudo para o Skype. Há uma melhor integração do Teams com o sistema no geral agora.

De todas as novidades, o que chama mais atenção, no entanto, tem a ver com um ‘produto’ da Google. O Windows agora pode instalar e rodar aplicativos Android, através de uma integração da Microsoft Store com a Amazon AppStore. Como o Windows 11, por enquanto, ainda roda apenas em versão beta — ou ‘insider’ como prefere a Microsoft—, essa funcionalidade ainda não foi muito explicada. Mas chega a ser irônico que a volta por cima dos desktops e notebooks, empurrados pelo novo coronavírus, tenha na praticidade e variedade dos aplicativos mobile, sua principal notícia.

Rodrigo Freitas Escrito por:

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