Gerada por IA
Se 2025 foi o ano em que a inteligência artificial deixou de ser novidade e virou obrigação, 2026 desponta como o momento em que a tecnologia tenta, com certo entusiasmo e algum exagero, reorganizar o mundo ao nosso redor. As previsões para o próximo ano misturam avanços concretos, tendências já em curso e uma boa dose de otimismo corporativo — aquele mesmo que promete revoluções anuais desde que me conheço por gente.
A inteligência artificial: onipresente, invisível e inevitável
Segundo o CTO da Amazon, Werner Vogels, 2026 marca uma nova fase da IA, com sistemas mais integrados ao cotidiano e capazes de atuar como “companheiros capazes de apoio efetivo”. A previsão inclui desde robôs cuidadores até agentes digitais que colaboram com humanos em tarefas criativas e técnicas. Não é exatamente o futuro dos Jetsons, mas já é o suficiente para imaginarmos máquinas que lembram compromissos, sugerem soluções e, com alguma sorte, não tentam nos vender assinaturas adicionais – disso, eu duvido.
O TecMundo, recentemente vendido ao Grupo Estado (Oi, Folha, sua sumida), reforça essa tendência ao afirmar que a IA estará “integrada de forma invisível em praticamente todas as soluções digitais” em 2026. Isso inclui personalização em tempo real, automação inteligente e sistemas preditivos mais precisos. Em outras palavras: prepare-se para aplicativos que sabem o que você quer antes mesmo de você querer — o que pode ser útil, assustador ou ambos.
Dispositivos móveis: o ano das telas dobráveis (e redobradas)
Embora as fabricantes ainda mantenham sigilo, 2026 deve consolidar a era dos dobráveis. A Samsung, que já domina o segmento, e surpreendeu ao antecipar o lançamento do Galaxy TriFold já no apagar das luzes de 25, é amplamente especulada como a primeira a lançar um Galaxy Quadrifold — um dispositivo com múltiplas dobras, expandindo-se até o tamanho de um tablet grande. Não há confirmação oficial, mas a lógica do mercado aponta nessa direção: mais tela, mais versatilidade e mais oportunidades para quebrar o aparelho de maneiras inéditas – com um preço que, provavelmente, poucos podem pagar.
Do lado da Apple, rumores persistentes indicam que o iPhone dobrável finalmente verá a luz do dia. A empresa, conhecida por entrar tarde nos mercados para “reinventá-los” – o que eu chamo de ‘copiar com elegância’-, teria agora maturidade tecnológica para lançar um modelo com tela flexível e dobradiça reforçada. Se será revolucionário ou apenas um iPhone que dobra, saberemos em breve — mas o preço, esse sim, já podemos prever: alto o suficiente para dobrar também o limite do cartão.
Streaming e experiências conectadas: mais personalização, menos paciência
Com a consolidação do streaming como principal forma de consumo audiovisual, 2026 deve trazer experiências ainda mais integradas. Plataformas devem apostar em conteúdos interativos, sincronização com dispositivos domésticos e personalização extrema — tudo impulsionado por IA. A chegada da TV 3.0 no Brasil, bem ao tempo da Copa do Mundo, promete uma revolução na experiência de consumo audiovisual, seja em eventos ao vivo ou em VODs.
E as emissoras tradicionais precisam correr contra o tempo mesmo: 2025 já representou uma virada de mesa entre o digital e o offline na publicidade orientada ao audiovisual. Oferecer soluções digitais, pulverizando seu conteúdo entre TV aberta, redes sociais, plataformas próprias ou streaming suportado por anúncios – a promissora FAST TV – devem ser o caminho preferível.
Televisões: transparência, enroláveis e resoluções absurdas
Com relação ao hardware, a evolução das TVs segue firme rumo ao espetáculo. Em 2026, veremos modelos transparentes, telas que se enrolam e resoluções tão altas que até filmes clássicos parecerão mal iluminados. A tendência é clara: transformar a TV em um objeto de design, quase invisível quando desligada e quase hipnotizante quando ligada.
Automação e infraestrutura digital: o backstage da revolução
E para rodar tudo isso, sem travamentos – oremos – 2026 será marcado pela expansão da computação de borda, agentes autônomos e novas regras de segurança digital. Por computação de borda (edge computing), entenda uma nova lógica de processamento de dados, onde a nuvem – a tal da Cloud – deixa de ser focada em armazenamento para realizar operações complexas, em conjunto com operações locais.
Plataformas no-code e low-code também devem ganhar força, permitindo que empresas criem soluções complexas sem depender tanto de equipes gigantes de desenvolvimento — uma tendência reforçada pelo conceito de “desenvolvedores renascentistas” citado por Vogels. Novamente, dê os créditos à inteligência artificial e ao ‘vibe coding’ o ato de programar via IA – ou quase o ato de “não programar”.
Conclusão: 2026 será brilhante, dobrável e ligeiramente exagerado
O próximo ano promete avanços reais, especialmente em IA, automação e dispositivos móveis. Mas, como sempre, haverá uma distância entre o marketing e a realidade. Ainda assim, 2026 deve ser lembrado como o ano em que a tecnologia se tornou mais flexível — literalmente — e mais inteligente, ainda que com algumas arestas a aparar.
Se tudo der certo, teremos celulares que se desdobram, TVs que desaparecem e inteligências artificiais que finalmente entendem o que queremos. Se der errado, ao menos teremos boas histórias para contar.
